17.4.12

ARTE DA VIDA | LIFE IS ART


Experimental é tudo o que já alguém conseguiu chamar ao meu trabalho. Há de facto um flutuar ao lado das áreas nobres, escultura, pintura, cinema… Não me dedico, não toco, não tenho um estilo. Artista? Naaa! Não tenho o saber nem a habilidade que a definem, prefiro a EXPRESSÃO, ou seja, a ideia, o gesto, o carácter, a animação, a essência de um sentimento (def).
Um dia ao mostrar o trabalho a um galerista, ele disse “O seu trabalho não tem ponta por onde se lhe pegue!”. Hoje provavelmente continua a não ter, porque nunca encontrei um estilo mas encontrei a minha linguagem.

Estilo: características (def).
Linguagem: sinais que servem a expressão do pensar e do sentir (def).

14.4.12

PERTENÇO.NÃO PERTENÇO.


Para ti, que não me vês nem lês, escrevo. Envolta em lençóis quentes, já não te espero mas continuo a mostrar-te toda a beleza que alcanço da minha janela. Ninguém me ouvirá. Estou a salvo.
Vai ser uma conversa sem princípio, conclusão ou fio condutor porque também é assim que a vida me acontece.
Tudo se mistura e toco (sussurro) as várias expressões artísticas que estão ao meu alcance, sem de facto lhes pertencer (Mulher sombra).
 “Pertenço porém, aquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem vêem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado”.
Fernando Pessoa

16.9.11

MULHER SOMBRA PROCURA LOURDES CASTRO

MULHER SOMBRA I | Shadow woman | pedra mármore e feltro |
marble stone and felt| 60x125x185cm |

 
Era uma vez uma Mulher que vivia numa ilha. O seu mundo não ultrapassava o pequeno bosque que lhe pertencia e aos oitenta anos continuava a sorrir, mesmo quando chorava. Os olhos azuis iluminavam-lhe todo o rosto, penetráveis como água, pontos coloridos e luminosos. Na calma e bem-estar da casa, a solidão acompanhava-a como a sua sombra. A ausência do seu homem era tão física como a sua presença. Não havia filhos. Os álbuns de família eram a recolha de uma vida de sombras. Saberão alguns que a mulher é Lourdes Castro[1] e o homem Manuel Zimbro[2].
A outra Mulher, de quem fala esta história, é atraída pelo mesmo isolamento. Sabe-o fora dos limites da sua povoada existência. Secaria pela raiz se não pudesse dar o beijo aos filhos adormecidos no conforto que lhes proporcionou, aconchega-los, zelar pela tranquilidade da noite. Alimenta-os, lava-os, veste-os, educa-os e pouco lhe sobra. Que importa?
Está nos antípodas da coragem, da independência, dos seres solitários que admira. Pessoas detentoras do seu tempo e da sua vontade, duas coisas que a Mulher tem em porções suficientes para avançar muito lentamente. Não tem onde chegar e a sensibilidade e a intuição, continuarão a leva-la para o desconhecido. Tem sempre medo, mas vai. Será isto ser artista?

11.8.11

"PORQUE EU SOU DO TAMANHO DO QUE VEJO"



O dia amanhecera com chuva e frio. A Mulher tomou um banho quente, levou o pequeno-almoço ao filho, deu-lhe a roupa preparada no dia anterior e depois de colocados todos os acessórios, saíram.
Debaixo de um céu cinza, entrou na cidade. Tem minutos nas mãos e caminha no sentido oposto ao lugar onde deve estar às nove horas. As montras têm roupas bonitas e os edifícios seculares deixam adivinhar conforto.
Mas à mudança da paisagem reage com tristeza e medo. Sente o desconforto do costume, longe do lugar onde o espaço se vê e sente, onde se ouvem os grilos, e as árvores falam com o vento.
À entrada da cidade, apesar de continuar a chover, desenhou-se um arco-íris. Foi como se as cores ténues lhe pusessem a mão no ombro.
Está de passagem. Nasceu no edifício defronte, mas pátria se a tem, é no terraço à beira do pinhal, na encosta do monte. Por lá se queda, contrariando qualquer possibilidade de estar no contexto urbanístico e contemporâneo, o do fresco espírito da inovação. Aos trinta anos aproximou-se do mar e do campo, para fora do ruído de máquinas e homens e dos grandes blocos contentores/bloqueadores do olhar e do espaço. Desconhece a urbe que a viu nascer.

30.7.11

A CAMINHO DO BICHINHO DE CONTO

CADERNO DE ESBOÇOS III | sketch book

O enevoado do dia não levantou, mas na tarde da Picanceira o sol deixava-se ver. As crianças tomaram banho na piscina já muito furada, mas ainda assim água em quantidade para pulos mergulhos e gritaria. Comeram o reclamado lanche, embora ligeiro porque o jantar seria cedo. Separava-nos dos Casais Brancos uma hora de caminho e os filmes eram pequenos, como os sete cabritinhos. Se nos atrasássemos chegaríamos no fim. Mas as horas foram as certas e apesar do frio, da distância e da complicada gestão da tarde, à noite caminhámos sem hesitar para o Bichinho de conto
O nosso velho carro subia com esforço as estreitas e sinuosas ruas, ainda mais escuras depois da iluminação de Óbidos. Atrás, talvez impacientes caminhavam outras famílias. Todos curiosos e sequiosos de lugares nobres, onde poderíamos encontrar a nossa civilização. Afinal havia mais como nós. Apesar de um pouco perdidos, não nos sentíamos sozinhos.
Perdoem-me a metáfora já muito usada, mas descobri que alguns dos caminhos que tantas vezes percorro, vão dar à Escola Primária de Casais Brancos, transformada em lugar belo, belo, acolhedor, simples, isolado, despretensioso... tantas expressões e tantos despertares de sentidos, que fico confusa e pela segunda vez, queria ficar. Mas parti, como sempre faz a Mulher Sombra


5.7.11

PINTURAS PARA A CABEÇA - ALMOFADA I

Pinturas para a cabeça - Almofada I
Almofada dupla com texto bordado:
"Querer apanhar sombras de aves e parar sombras de ervas ao vento"
No interior estão três telas (17x12cm) fixas às almofadas, para serem "folheadas"
Este trabalho pertence à série/projecto "A tocadora de violoncelo"
 
tecido e tela
 65x52x30cm

Paintings for the head - Pillow I
Double pillow with embroidery text:
"wanting to catch birds shadows and stopping grass shadows in the wind"
Inside there are three canvas fixed at the pillows, to be "browse"
This work belongs to the series " The cello player"
cloth and canvas
65x52x30cm
150€ (não inclui despesas de transporte / without transport costs )


1.7.11

CADERNO DE ESBOÇOS II | sketch book

Il faut que j'écrit
"... a prosa ou o verso que escrevemos, destituídos de vontade de querer convencer o alheio entendimento ou mover a alheia vontade, é apenas como o falar alto de quem lê, feito para dar plena objectividade ao prazer subjectivo da leitura."
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego